Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição ZERO

Revista: Edição ZERO | Ano: 2022 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Influência de linfócitos T no sistema nervoso central de camundongos BALB/c durante o desenvolvimento
Bolsista: ERIANE CERQUEIRA SANTOS
Orientador(a): POLIANA CAPUCHO SANDRE DE CARVALHO
Coorientador(a): RUDIMAR LUIZ FROZZA
Resumo: O papel do sistema imunológico envolve não só o reconhecimento do próprio versus o não-próprio, inclui também a manutenção da homeostase e a integridade do organismo ao longo do desenvolvimento. Ao contrário dos demais sistemas, acreditava-se por décadas que o sistema nervoso central (SNC) não era responsivo à maquinaria imune periférica devido a aparente ausência de vascularização linfática e a organização anatômica do cérebro, onde as barreiras hematoencefálica, hematoliquórica e líquor-encefálica bloqueariam a passagem de células e mediadores imunes periféricos ao SNC. Pesquisas recentes mudaram essa visão do SNC como local de privilégio imunológico e demonstram que as células imunes inatas e adaptativas periféricas podem fornecer suporte homeostático ao SNC por meio de comunicação neuroimunes. Do mesmo modo, a descoberta de vasos linfáticos meníngeos também abriu novas percepções da interação entre o SNC e o sistema imunológico, sugerindo o SNC como um local ativamente regulado pela vigilância imunológica. Com esta nova visão sendo estabelecida, estudos ainda mais recentes buscam elucidar a complexidade dos mecanismos que permitem a comunicação entre as diferentes regiões do SNC com o sistema imune periférico em distintas etapas do desenvolvimento, tanto na homeostasia quanto nas doenças que envolvem o neurodesenvolvimento. Na homeostasia, o patrulhamento pelos linfócitos T é essencial para a proteção do SNC contra agentes patogênicos e, em indivíduos saudáveis, a presença dos linfócitos T também é essencial ao funcionamento do SNC. No desenvolvimento, os componentes do sistema imune possuem um papel significativo, uma vez que a ausência de linfócitos em camundongos SCID leva a prejuízo de funcionalidade neuronal em experimentos de enriquecimento ambiental. Interessantemente, camundongos SCID não apresentam aumento de neurogênese e melhora em testes cognitivos como os animais que possuem células T, o que aponta para a necessidade de célula T na proliferação e diferenciação neuronal. Os linfócitos são encontrados em áreas adjacentes ao espaço subaracnoide e plexo coroide quando o animal é submetido a testes cognitivos. Devido à proximidade do hipocampo com os ventrículos (onde se encontra o plexo coroide), acredita-se que a influência na neurogênese e diferenciação hipocampal venha através da IL-4 liberada pelos linfócitos T de fenótipo Th2. Outros estudos ainda demonstraram que camundongos com depleção de linfócitos T e B, mas não os apenas depletados de linfócitos B, apresentam prejuízos na neurogênese hipocampal, e que camundongos SCID recuperam tanto a neurogênese hipocampal quanto às habilidades cognitivas com a transferência de linfócitos T CD4+ (e não CD8+). Corroborando esses achados, recentemente o trabalho de Herz e colaboradores (2021) mostrou que a depleção de células T CD4 prejudicou a potencialização sináptica de longo prazo no giro denteado do hipocampo e levou a um déficit de memória em camundongos imunodeficientes, o que pôde ser restaurado com a reconstituição das células T CD4 do tipo selvagem, mas não por células T deficientes em IL-4, sendo o nocaute condicional de IL-4R? em neurônios de camundongos selvagens recapitulou déficits de memória. Já a pesquisa de Pasciuto e colaboradores (2020) demonstrou que a ausência da população de células T CD4 resultou em uma microglia suspensa entre um estado de desenvolvimento fetal e adulto, com defeitos resultantes na função de eliminação sináptica e comportamento normal do camundongo. A literatura ainda apoia que os linfócitos T que influenciam nas funções cognitivas estão nos espaços subaracnoides e o repertório imunológico dos linfócitos T encontrados nesses locais é controlado pelos linfonodos cervicais profundos, uma vez que a remoção cirúrgica dos linfonodos cervicais profundos resulta na imunidade desregulada dos linfócitos T meníngeos que se correlaciona com declínio cognitivo. Embora existam evidências que suportem uma interconexão entre o SNC e o sistema imune, ainda não é muito bem compreendida a complexidade dessa interação em diferentes etapas do neurodesenvolvimento, onde o padrão de refinamento da circuitaria neural é necessário para um correto desenvolvimento. Portanto, este projeto é indispensável para aprimorar a pesquisa e entender como o sistema imune atua no desenvolvimento do SNC, abrindo caminhos para o desenvolvimento de terapias e manipulações mais eficazes para doenças do neurodesenvolvimento como autismo e esquizofrenia.
Compartilhamento de dados de pesquisa na fiocruz: diagnóstico e percepção do pesquisador
Bolsista: ISABELLA HENRIQUE LIMA PEREIRA
Orientador(a): Viviane Santos Veiga
Coorientador(a): Não informado
Resumo: xxxx
ASPECTOS HISTOLÓGICOS E AVALIAÇÃO DA EXPRESSÃO GÊNICA DE PULMÃO EM CASOS FATAIS DE COVID-19
Bolsista: Leonardo Magalhães Andrade e Silva
Orientador(a): Geraldo Gileno de Sá Oliveira
Coorientador(a): Não informado
Resumo: No final de 2019, surgiu na cidade de Wuhan, na China, uma epidemia de pneumonia causada por um coronavírus. A doença foi denominada COVID-19 e o vírus SARS-CoV-2 (1). A partir de Wuhan, o SARS-CoV-2 disseminou-se ao redor do globo causando uma pandemia que resultou em um número alarmante de casos e de mortalidade no mundo e no Brasil (2). A infecção pode apresentar-se em um amplo espectro, desde ausência de manifestações clínicas até em apresentações severas. Os pacientes de maior gravidade requerem tratamento intensivo e frequentemente são portadores de outras comorbidades que agravam o quadro. Ainda existem limitações e lacunas no conhecimento sobre a natureza das lesões teciduais e os mecanismos de agravamento na COVID-19, com reflexo direto na abordagem terapêutica dos pacientes. Em nosso laboratório, foi estabelecido um grupo técnico para a realização de autópsia minimamente invasiva guiada por ultrassom em casos fatais de COVID-19. Esse grupo já realizou/continua realizando a coleta de fragmentos de vários órgãos incluindo os pulmões. As autópsias permitirão a identificação de alterações histológicas envolvidas nos casos mais graves da doença e deverão fornecer informações úteis para ajustes na terapêutica dos doentes no Estado da Bahia. Além disso, também será feita a avaliação da expressão gênica pulmonar e, com isso, a descoberta de mecanismos patogênicos.
Influência de polimorfismos no gene da proteína transportadora de ureia na resposta a hidroxiureia em pacientes com anemia falciforme
Bolsista: THAIS ALMEIDA MIRANDA
Orientador(a): SETONDJI COCOU MODESTE ALEXANDRE YAHOUEDEHOU
Coorientador(a): Marilda de Souza Gonçalves
Resumo: A anemia falciforme (AF) é a expressão da forma homozigota do alelo beta (?) S, responsável pela formação da hemoglobina variante S (HbS). Desta forma, o indivíduo com AF possui o genótipo HbSS. Em condição de hipóxia ocorre a polimerização da HbS, com formação de fibras, que são responsáveis pela alteração na forma bicôncava e discoide da hemácia, que passa a ter o formato de foice. Ela é chamada de hemácia falcizada ou drepanócito. A falcização da hemácia contribui para o quadro clínico heterogêneo apresentado pelos indivíduos com AF, que pode se manifestar por hemólise intensa, crise de dor, infecções, síndrome torácica aguda e acidente vascular cerebral, entre outros. Dentre os tratamentos disponíveis para a AF, a hidroxiureia (HU) tem sido o tratamento de escolha, uma vez que eleva a hemoglobina fetal (HbF) e melhora o quadro clínico desses indivíduos. Entretanto, observa-se uma intervariabilidade na resposta ao tratamento, que pode ser devido ao perfil metabólico de cada indivíduo que se estende de lento a ultrarrápido, cujos fenótipos podem ser decorrentes de alterações genéticas em genes de enzimas metabolizadoras e proteínas transportadoras de drogas, tais como a citocromo P450, glutationa S-transferase, mieloperoxidase e a família de transportadores de soluto. Dessa forma, o objetivo do presente estudo será de investigar a influência de polimorfismos no gene da proteína transportadora de ureia na resposta à HU em indivíduos com AF. Serão incluídos 100 indivíduos com AF em uso ou não de HU, atendidos na Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (HEMOBA). As amostras coletadas serão utilizadas para as análises laboratoriais (hematológica, bioquímica e inflamatória) e de biologia molecular. Os dados clínicos dos participantes serão obtidos através de questionário epidemiológico e prontuário médico. A análise dos dados será realizada pelos programas Epi-info v. 7, SPSS v. 17 e GraphPad Prism v. 6, considerando os valores de p<0,05 como estatisticamente significativos.
ANÁLISE DE CUSTOS DIRETOS DE TESTES PARA O DIAGNÓSTICO DA COVID-19 NO BRASIL
Bolsista: FLAVIA NUNES ZEFERINO
Orientador(a): Mariana Lourenço Freire
Coorientador(a): Glaucia Fernandes Cota
Resumo: A pandemia relacionada à COVID-19 trouxe grandes desafios, que impactaram de forma desigual os países e toda a população mundial. Embora a drástica redução da doença observada com a vacinação em massa da população, acredita-se que a disseminação de SARS-COV-2 não esteja próxima de acabar, e que o mundo provavelmente conviverá com a COVID-19 e consequentemente com as medidas necessárias para sua contenção e prevenção, por um longo período. Neste cenário, a disponibilização de técnicas que possibilitem o diagnóstico rápido é essencial, não apenas para prolongar a sobrevida dos pacientes, mas também como medida de contenção da doença na população. Diferentemente da reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT-PCR), que exige logística complexa, insumos e horas a dias até o resultado, a detecção de antígenos virais através de testes rápidos (Ag-TR), pode representar uma importante ferramentas, seja na triagem em serviços de urgência, seja para a decisão rápida de medidas de isolamento, uma vez que não requerem a experiência técnica e a infra-estrutura laboratorial como a RT-PCR. A partir de 2011 no Brasil, com a criação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (CONITEC), passaram a ser exigidas análises de custo-efetividade, além de evidências de eficácia e segurança para incorporação de novas tecnologias em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS). Desta forma, neste trabalho está sendo realizada uma avaliação econômica parcial, através da estimativa dos custos diretos dos testes para o diagnóstico da COVID-19. Inicialmente foram incluídos os testes rápidos de detecção de antígeno previamente validados em estudo anterior realizado pelo grupo (Freire et al., 2022 em fase de publicação). Os custos diretos foram estimados pela técnica de microcusteio, estimativa de custo que envolve a enumeração direta e o custo de cada insumo necessário para determinada intervenção em saúde. Desta forma, foi realizado o levantamento de todos os insumos, bens e serviços consumidos para realização das diferentes estratégias diagnósticas, até a obtenção do resultado, tais como: testes diagnósticos; remuneração do profissional; materiais de segurança; materiais de consumo; manutenção e calibração de equipamentos. Os custos unitários dos testes foram obtidos por cotações realizadas com os fabricantes/distribuidores dos diferentes testes diagnósticos, a remuneração dos profissionais de saúde foi obtida da Tabela de Remunerações vigente da Prefeitura de Belo Horizonte, Minas Gerais. O custo dos materiais de segurança foi obtido no Banco de Preços em Saúde do Ministério da Saúde. Até o momento foi estimado o custo direto dos seguintes testes: CORIS Bioconcept COVID-19 Ag Respi-Strip (Nanosens); CELLER WONDFO SARSCOV2 Ag Rapid Test (Celer Biotecnologia); Teste Rápido do Antígeno da COVID-19 (Magnum Import); COVID-19 Ag ECO Teste (Eco Diagnostica Ltda). Os custos diretos variaram de 21,53 a 22,64, observando uma pequena variação entre os fabricantes, ressalta-se ainda que grande parte do custo direto envolvido na realização dos testes imunocromatograficos estão relacionados ao preço unitário de cada teste, variável de 75,5% a 53%. Com a finalização das análises de custo direto será possível conduzir análises de custo-efetividade fornecendo informações que possam auxiliar gestores de saúde em todo o Brasil, na utilização racional de testes diagnóstico rápidos de detecção de antígeno para o diagnóstico de COVID-19 em diferentes cenários de prevalência da doença.
Novas abordagens moleculares em Trypanosoma cruzi para estudos sobre a progressão e tratamento da doença de Chagas
Bolsista: Letícia Negreiros Lima
Orientador(a): Cristina Henriques
Coorientador(a): Não informado
Resumo: A doença de Chagas é considerada negligenciada, o benznidazol é a única droga usada no tratamento no Brasil e causa sérios efeitos colaterais e possui baixa eficácia. Na busca de novos compostos para tratamento são necessárias vários testes in vitro e in vivo, entretanto, é necessário que sejam padronizados métodos rápidos e confiáveis de avaliação de novas drogas em larga escala. Portanto, é necessário investir no desenvolvimento de novos métodos de avaliação e no uso de novas tecnologias. Com esse objetivo produzimos cepas de T. cruzi Dm28c, expressando a enzima luciferase (Dm28c-Luc) e a proteína fluorescente EGFP (Dm28c-EGFP), ferramentas importante para padronização de novos métodos de análise de compostos. Complementando e substituindo técnicas mais tradicionais, como a contagem de células infectadas com T. cruzi e coradas com hematoxilina/ eosina, para avaliação da taxa de infecção e da eficácia do quimioterápico. Ensaios preliminares da padronização dos testes in vitro, foram realizados para determinar a quantidade ideal de células de linhagem celular LLCMK2 e as condições de cultivo, para os ensaios de infecção e tratamento com compostos. Amastigotas intracelulares das cepas Dm28c-Luc e Dm28c-EGFP, utilizando o inibidor da biossíntese de ergosterol, posoconazol, demonstraram que as cepas Dm28c-Luc, Dm28c-EGFP, foram capazes de infectar as células LLC-MK2 e de manter a infecção com o aumento do número médio de amastigotas intracelulares após 72 horas de infecção, em comparação com a cepa selvagem e Dm28c-WT. O IC50 para as amastigotas intracelulares em células LLC-MK2 infectadas com T. cruzi cepa Dm28c-WT, foi estimado em 1,25 a 2,9 nM para o posaconazol utilizando índice de infecção em células coradas (dados não publicados), conforme descrito anteriormente para amastigotas da cepa Y em macrófagos peritoneais, cujo IC50 foi de 1 nM (Veiga-Santos et al, 2012). A padronização em leitor de microplaca, em amastigotas intracelulares de LLC-MK2 infectadas com as cepas Dm28c-Luc e Dm28c-EGFP foram realizadas utilizando a mesma curva de concentração com posaconazol, 05 a 50 nM. Experimentos iniciais demonstraram que após tratamento com posaconazol o IC50 ficou na faixa de 1,8 e 3,5 para amastigotas de Dm28c-Luc (n=2), e 3,7 nM para o Dm28c-EGFP (n=1), entretanto, em células infectadas com Dm-EGFP o backgorund foi mais elevado e a sensibilidade foi reduzida mesmo com o aumento da relação parasita célula de 10:1 para 100:1. Portanto, a cepa Dm28c-Luc apresenta uma vantagem em termos de melhor sensibilidade para avaliar mesmo pequenas alterações em relação ao número de células infectadas quando comparado com a cepa Dm28c- EGFP. Entretanto, a avaliação por fluorescência, utilizando a cepa Dm28c- EGFP pode ser de grande auxílio na primeira avaliação de uma bateria de compostos. Em seguida, a avaliação e estimativa do IC50 utilizando a bioluminescência é capaz de fornecer resultados mais precisos. A padronização dos ensaios em amastigotas intracelulares das cepas Dm28c-Luc e Dm28c-EGFP em leitor de microplaca, é uma metodologia de maior reprodutibilidade e confiabilidade, reduzindo os viéses metodológicos relacionados com a contagem de células, e será utilizado para a avaliação de extratos de plantas da família Piperaceae no leitor de microplaca.
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