Revista Eletrônica do Programa de Bolsas - Edição ZERO

Revista: Edição ZERO | Ano: 2022 | Corpo Editorial: Editorial | Todas edições: Todas
ISSN: 2966-4020
Comunicação e linguagem no PROJETO DE NOSSO TERRITÓRIO SABEMOS NÓS
Bolsista: Sally Inae Yoshikawa
Orientador(a): SIMONE SANTOS SILVA OLIVEIRA
Coorientador(a): Sergio Luiz Dias Portella
Resumo: Este projeto de iniciação científica, para o período abril/2022 a setembro/2023, se insere na pesquisa “De Nosso Território Sabemos Nós” realizada pelo grupo liderado pela profa. Simone Oliveira do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (CESTEH/ENSP/Fiocruz), que tem por objetivo potencializar a resiliência comunitária e a promoção da saúde, frente aos desastres e emergências. Essa pesquisa-intervenção, se desenvolve em dois bairros localizados nas cidades serranas (Córrego Dantas/Nova Friburgo e Caleme/Teresópolis), comunidades mais afetadas pelo desastre de 2011. O projeto “De Nosso Território Sabemos Nós” aposta na combinação da participação cidadã com as tecnologias digitais que podem favorecer um bom caminho para a superação do fosso entre gestão/academia e territórios, com a criação de um canal contínuo de comunicação. Nessa perspectiva, a solução proposta pela pesquisa, após os mapeamentos participativos das cartografias sociais, foi desenvolvimento de aplicativo comunitário que viabiliza de forma ágil e precisa a comunicação dos moradores com a gestão pública local. E, nesta fase, atual da pesquisa, tem-se o desafio de implementação do aplicativo/site das comunidades estudadas e sua disseminação junto aos moradores para utilização. Para que essa comunicação, implementação e disseminação ocorram se faz necessária a construção de uma linguagem comum que permita um fluxo de entendimento das partes nesse processo. Dessa forma, as questões sobre a comunicação dos grupos em si e entre si são cruciais e devem ser trabalhadas cuidadosamente. O objetivo do projeto PIBIT é, com foco na necessidade de construção de uma linguagem comum entre os diferentes públicos que compõe a pesquisa intervenção, buscar favorecer o diálogo entre eles no desenvolvimento de um sistema colaborativo, criando meios para uma comunicação e difusão apropriada dos dispositivos do projeto visando ampliação e eficiência dos seus usos. Para atingir este objetivo pretende-se identificar a produção do conhecimento das diferentes metodologias para avaliação da efetividade comunicacional através de grupos de estudos; aplicar métodos para avaliação da eficácia comunicacional dos dispositivos do projeto juntos às redes sociais utilizadas pelas comunidades; e desenvolver produtos para comunicação e divulgação dos dispositivos contribuindo com as estratégias de ação com foco especial na implementação do aplicativo/site desenvolvido pela equipe de pesquisadores e sua disseminação nas populações alvo.
Avaliação de parâmetros clínicos-laboratoriais e imunológicos em pacientes coinfectados com leishmaniose visceral e HIV-1
Bolsista: PAMELA LIMA DIAS LINS
Orientador(a): JOANNA REIS SANTOS DE OLIVEIRA
Coorientador(a): ALDA MARIA DA CRUZ
Resumo: A maioria dos casos de coinfecção Leishmania/HIV nas Américas ocorre no Brasil, onde a leishmaniose visceral (LV) aparece como a forma prevalente no que se refere à coinfecção. A infecção pelo HIV-1 e pela Leishmania infantum são caracterizadas por uma imunossupressão e uma intensa ativação celular crônica. Estudos anteriores de nosso grupo já demonstraram que a leishmaniose é um cofator para o aumento do grau de ativação em pacientes coinfectados com HIV. Essa intensa ativação imune pode afetar a população de linfócitos T tanto quantitativamente, como funcionalmente, o que pode contribuir para as frequentes recidivas da LV observadas em pacientes HIV+. Além disso, em consequência do status imune ativado na infecção pelo HIV verifica-se o fenômeno denominado imunosenescência, caracterizado por uma exaustão dos recursos imunes primários. Recentemente, nosso grupo demonstrou que a manutenção de níveis elevados de ativação celular, de produtos da translocação microbiana, de IgG3 anti-Leishmania e de uma baixa reconstituição de células T CD4+ poderiam estar associados com as recidivas da LV em pacientes LV/HIV. Entretanto, pouco se sabe sobre a relação entre os dados clínicos, laboratoriais, epidemiológicos ou imunológicos com a evolução dos casos de LV em termos de cura clínica, gravidade ou recidivas. Desse modo, nosso objetivo é descrever as características clínico-laboratoriais e imunológicas de uma coorte de pacientes LV/HIV de um hospital de referência em Belo Horizonte, Minas Gerais, no intuito de verificar se existe alguma relação com o desfecho clínico dos pacientes acometidos. Para isso, serão acompanhados prospectivamente pacientes LV/HIV recidivantes (R, n=10) e não recidivantes (NR, n=8). Os participantes foram diagnosticados no Hospital Eduardo de Menezes, BH/MG e avaliados em três momentos: fase ativa (FA), imediatamente após o tratamento (pós-tto) e seis meses após o tratamento (6mpt). Indivíduos sadios serão incluídos como controles. A coleta de dados clínicos e laboratoriais foi realizada a partir da revisão dos prontuários médicos e exames complementares. Em relação às características epidemiológicas, destaca-se que esta casuística é de maioria composta por pessoas do sexo masculino (77,78%) e com idade de 40 a 49 anos (38,89%), metade deles faziam acompanhamento ambulatorial prévio para monitoramento e acesso ao tratamento para infecção pelo HIV e LV. Além disso, 66,66% (n=12) declararam ser ou já terem sido fumantes; e 55,56% (n=10) deles relataram serem ou já terem sido alcoólatras e 44,44% (n=8) relataram o uso de drogas ilícitas. Em relação ao contexto socio-familiar, há registros dessas circunstâncias nos prontuários de 66,67% (n=12) pacientes, e em todos é perceptível o contexto complexo e o quato isso pode impactar na condição clínica do paciente coinfectado. Em termos clínicos, treze pacientes (72,22%) apresentaram hepatoesplenomegalia, febre (n=12; 66,67%), hiporexia (n=9; 50%) e astenia (n=8 44,44%), respectivamente. Além da ocorrência de dispneia (n=5, 27,78%), edema (n=5, 27,78%) e sangramento (n=4, 22,22%), que com a variável idade >40 anos (61,11%; n=11 na casuística) são fatores que já foram associados ao óbito na LV. Ademais, é importante destacar que 12 (66,67%) dos 18 pacientes apresentaram alguma doença crônica. Todos os pacientes LV/HIV, exceto um, fizeram uso de TARV e a maioria (66,67%; n=12) deles aderiram regularmente à TARV. Quanto à profilaxia secundária, verificou-se que 10 pacientes fizeram uso de forma regular, dos quais sete eram recidivantes e três não-recidivantes. Quantos aos resultados dos exames laboratoriais durante a fase ativa da doença todos os pacientes apresentaram anemia, leucopenia e linfopenia em 15 dos 18 pacientes. Fica claro, portanto, que um melhor entendimento sobre a associação dos fatores epidemiológicos, clínicos e imunológicos irá ajudar a definir os fatores de risco para o início do agravamento da condição clínica, recidivas e melhor manejo dos pacientes.
Influência do grau de imunosenescência de linfócitos T estimulados com antígenos parasitários nos diferentes desfechos clínicos de pacientes com leishmaniose visceral.
Bolsista: JOANA MARIA RODRIGUES SIQUEIRA
Orientador(a): MARIA LUCIANA SILVA DE FREITAS
Coorientador(a): ADRIANO GOMES DA SILVA
Resumo: A imunopatogênese da leishmaniose visceral (LV) ativa é caracterizada por uma imunossupressão em paralelo a uma ativação imune sistêmica. Ambos os mecanismos podem contribuir para um comprometimento da resposta efetora específica ao parasito, impactando negativamente na evolução clínica dos pacientes. De fato, o status inflamatório exacerbado já foi associado à evolução para LV grave, onde altos níveis de citocinas inflamatórias precederam o óbito de pacientes com LV ativa, e se correlacionaram com parâmetros clínico-laboratoriais associados à gravidade. A literatura acerca dos fatores imunológicos que possam predizer tais desfechos é vasta. No entanto, as recidivas têm emergido como um desafio clínico adicional na LV e ainda pouco se investiga sobre os parâmetros imunológicos subjacentes. Nesse cenário, o grau de ativação de linfócitos T pode ser determinante para a senescência replicativa, que resulta no acúmulo de células T terminalmente diferenciadas, caracterizadas por uma deficiência na proliferação, produção de citocinas, e que podem ser identificados por marcadores fenotípicos. Assim, nossa hipótese é que o prejuízo imune da fase ativa da LV, ao lado das consequências do elevado grau de ativação, como a senescência replicativa, podem comprometer a qualidade da resposta efetora ao parasito e predispor às recidivas da LV. No contexto da coinfecção LV/HIV, nosso grupo verificou que pacientes com recidivas da LV (-R: recidivantes) mantiveram percentuais elevados de linfócitos T ativados ex vivo, diferente daqueles com primodiagnóstico da LV (-NR: não-recidivantes) que reverteram estes parâmetros a níveis próximos da normalidade. Além disso, os percentuais de células T senescentes foram elevados nos pacientes LV/HIV. Assim, acreditamos que, mesmo entre os não-coinfectados, a não-responsividade de clones específicos aos antígenos de Leishmania, em conjunto à morte celular induzida por ativação na periferia podem ajudar a explicar a perda do controle parasitário e a progressão para recidivas. Espera-se encontrar parâmetros imunológicos que possam ajudar a predizer esse prognóstico. Para confirmar tal hipótese, 30 pacientes com LV serão agrupados em -NR e -R, e acompanhados desde a fase ativa até 12 meses pós-tratamento. As células mononucleares de sangue periférico (PBMCs) serão obtidas por gradiente de centrifugação em Ficoll-Hypaque, criopreservadas e, posteriormente, descongeladas para estímulo in vitro frente aos antígenos de L. infantum. Após, parâmetros fenotípicos e funcionais em termos de senescência, ativação, proliferação e produção de citocinas intracelulares serão avaliados por citometria de fluxo multiparamétrica. Os resultados mais recentes são provenientes de experimentos de padronização da estimulação in vitro com os antígenos parasitários, seguido de imunofenotipagem extracelular e intracelular para a avaliação dos perfis fenotípicos propostos. Obteve-se sucesso na padronização, sobretudo, nas análises de proliferação celular pela marcação do BrdU, que foi confirmada pelo estímulo com mitógeno Concanavalina A. Finalmente, embora o n de pacientes seja pouco expressivo, a padronização foi efetiva em relação aos demais perfis avaliados, sendo possível estabelecer uma estratégia de análise bem definida.
Abordagens genéticas e funcionais sobre o papel de VLA-4 em células T
Bolsista: GIOVANNA MOREIRA FERREIRA
Orientador(a): VINICIUS COTTA DE ALMEIDA
Coorientador(a): Rafaella Ferreira Reis
Resumo: O êxito da resposta imune depende da ativação específica de células T e sua subsequente capacidade de locomoção aos sítios inflamatórios. O evento de migração transendotelial dessas células tem participação relevante da integrina integrina VLA-4, expressa em altas densidades na superfície de células T ativadas. Essa integrina é central para a regulação da ativação e migração de células T, sendo alvo em terapias que visam intervir nos processos de infiltração tecidual em diversas doenças crônicas de natureza infecciosa, autoimune e neoplásica. Particularmente, há relatos de polimorfismos gênicos em ITGA4 (codifica a subunidade ?4) em doenças, como a esclerose múltipla. Essas variantes têm o potencial de interferir sobre a relação estrutura-função da molécula. Nesse contexto, a avaliação de polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) permite a caracterização da relação entre as variações genéticas observadas no gene ITGA4 e as funções da integrina. Avaliar o impacto de alterações no gene ITGA4 sobre a estrutura e função da integrina VLA-4 no papel migratório e efetor de células T. Nesse projeto, objetivamos analisar a presença de polimorfismos gênicos e perfis de expressão gênica relacionados à integrina VLA-4 em bases de dados públicas e caracterizar, experimentalmente, o impacto funcional da ausência da integrina VLA-4 em células T. As análises da literatura sobre estudos de expressão gênica dos genes codificantes da integrina, ITGA4 e ITGB1 em células T e monócitos mostraram um total de 3.367 estudos, com 34 publicações relativas a células T e 20 sobre monócitos. Observamos também que a maior parte dos estudos focava na expressão diferencial em subgrupos de células T, co-expressão e co-regulação de VLA-4 com outras moléculas envolvidas em adesão e migração leucocitária, e expressão em doenças específicas, como o câncer e a esclerose múltipla. Encontramos também estudos apontando que alguns polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs), considerados deletérios e patogênicos, podem gerar alterações funcionais nos linfócitos T. Essas pesquisas iniciais apontam para a relevância da sistematização atualizada desses estudos, com potencial de contribuir para o melhor entendimento do papel de VLA-4 em células T, reforçando ainda a necessidade de mais estudos experimentais.
Avaliação da produção de citocinas induzida pelo efeito imunomodulatório da Lactoferrina bovina em células do sistema imunológico estimuladas com SARS-CoV-2.
Bolsista: MIGUEL PIRES MEDEIROS DINIZ RODRIGUES
Orientador(a): ANDREA MARQUES VIEIRA DA SILVA
Coorientador(a): Ana Paula Dinis Ano Bom
Resumo: Com o advento da pandemia de COVID-19 no final de 2019 na China, há no mundo uma busca incessante por tratamentos capazes de auxiliar na recuperação dos pacientes atingidos pela forma grave da doença. Uma vez que, na maioria dos casos graves a infecção pelo SARS-CoV-2 provoca uma resposta inflamatória exacerbada com alta produção de citocinas (cytokine storm), fármacos com ação imunomodulatória tem sido usado no tratamento do quadro clinico da doença COVID-19. A lactoferrina (Lf) é uma das proteínas encontrada no leite, é uma proteína multifuncional. Já foi descrita como tratamento preventivo e terapêutico, por apresentar atividade antimicrobiana, antifúngica, imunomoduladora, antitumoral e antiviral demonstrado em ensaios in vitro e in vivo. O principal objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito na resposta imunológica ao SARS-CoV-2 in vitro. Células mononucleares do sangue periférico (PBMC) de participantes com COVID-19 em fase convalescente foram incubadas com a lactoferrina bovina (bLF) a 1 mg/mL, dexametasona (1?M), anti-IL-6 (250 e 500 pg/mL) e interferon alfa (10ng/mL) e estimuladas com proteína S recombinante do SARS-CoV-2. Foi utilizado as técnicas de ELISpot e microarranjo liquido multiplex, para quantificação de citocinas. Avaliando os níveis de citocinas secretadas pelas PBMCs estimuladas e não estimuladas e submetidas a terapia com os fármacos mencionados acima. Foi observado que bLF foi capaz de reduzir a liberação de IFN-?, similar ao perfil da redução no tratamento com dexametasona e anti-IL-6. Em contraste, IFN-? induziu um aumento nos níveis de IFN-?. A IL-6 apresentou menor nível no tratamento com bLF em relação aos outros fármacos, demonstrando ser um bom marcador de avaliação da terapia. Em contraste, os níveis de IL-1b aumentaram nas células estimuladas. Foi observado que em algumas das citocinas avaliadas, a bLF não apresentou o efeito modulador na produção do IL-2, CCL3/MIP1a, GM-CSF e CCL5/rantes. Sendo assim, é necessário complementar estas avaliações, a fim de identificar que células infectadas com SARS-CoV-2, expostas a bLf sejam capazes de controlar a tradução e liberação de citocinas pró-inflamatórias e regulatórias. Reduzindo assim, o quadro de inflamação exacerbada observado em pacientes que desenvolvem a forma grave da COVID-19 e possibilitando que a bLf possa ser utilizada como um complemento terapêutico.
Desenvolvimento e apropriação de tecnologias de comunicação e informação (TIC) em atividades educacionais e de CienciArte para translação de conhecimentos produzidos nos projetos interdisciplinares do LITEB-IOC
Bolsista: Matheus Soeiro Villela
Orientador(a): TANIA CREMONINI DE ARAUJO JORGE
Coorientador(a): RITA DE CASSIA MACHADO DA ROCHA
Resumo: O Laboratório de Inovação em Terapias, Ensino e Bioprodutos (LITEB/IOC) responsável por projetos inter/transdisciplinares voltados a essas três categorias, desenvolve um vasto portfólio de distintas vias de comunicação visando a divulgação de conhecimentos para diferentes públicos. Através das TICs, o LITEB vem divulgando seus resultados, processos e produtos para fins educacionais e pedagógicos, unindo informação, comunicação e um caráter lúdico/interativo como meio de gerar conscientização e interesse pelo desenvolvimento científico e tecnológico. O objetivo deste trabalho é promover o desenvolvimento de produtos, sob diferentes mídias, para divulgação e apropriação de tecnologias de comunicação e informação (TIC) em atividades educacionais e de CienciArte visando translação de conhecimentos produzidos nos projetos interdisciplinares do LITEB-IOC. Utilizaremos a abordagem quali-quantitativa. Realizaremos a cobertura da Expedição do Expresso Chagas, a partir da qual serão produzidos vídeos e postagens em redes sociais, visando tanto informar e engajar o público, quanto divulgar as histórias e experiências daqueles que participaram da expedição, seja como afetados, portadores ou moradores de áreas endêmicas. Possivelmente também serão realizados vídeos anunciando a expedição para as cidades visitadas.
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